Por ser dura que a vida é digerida

Por ser dura que a vida é digerida



            Os alimentos duros são melhores digeridos, por nos levarem a mastigação mais acentuada, como li em um artigo de Masaharu Taniguchi, onde fala de um bolinho japonês de arroz tostado (nigirimeshi). Assim é a vida, que não deseja estaticidade. A evolução é um fato e já Darwin nos mostrou cientificamente esse progresso das espécies. A vida é muitas vezes dura e difícil, e cabe sorrir e enfrentar as dificuldades para não se entregar e ser pisoteado. Assim evoluímos.
            Contamos muitas vezes os fracassos, e apenas tardiamente conseguimos algum sucesso na vida. Somos vomitados pelo mundo antes de que possamos ser por fim algum alimento a sociedade e a comunidade onde estamos inseridos. Mas se fosse mole a vida, o que seria de nós? Sem esforço não teríamos músculos, ficaríamos obesos, de vida sedentária e sem qualquer progresso, seja físico, intelectual ou moral. Julgados pela aparência, a falta de beleza ou de tônus nos coloca à margem de muitas relações, fazendo com que busquemos algo mais duro, porém até mais vantajoso, como a espiritualidade e a vida direcionada ao metafísico.
            Mas como já falei, somos os responsáveis pela nossa vida. Não que devemos sofrer por isso, mas que as escolhas nos levam a tomar certos comportamentos que entendemos corretos, seja por qualquer motivo e erramos. Voltamos atrás e refazemos. Quantas obras de arte de grande artistas foram abandonadas? Devem ter sido muitas e restam aquelas que foram aproveitadas, ficando no anonimato os fracassos. Assim deve ser a arte de nossa vida para a felicidade e o autoconhecimento, não devendo colocar no outro o motivo de nossa vida não mastigada. Resta o doce da conquista e o sorriso quase desacostumado ao seu movimento bucal.
            Recentemente publiquei junto ao meu amigo Cléverson Israel Minikovsky dois livros novos, sobre filosofia, muito instrutivos e profundos na abordagem, um chamado “As 70 cartas do baralho filosófico” e outro “Contrarreforma ético-filosófica”. Foram conquistas que já por anos estavam duras de acontecerem, e essa publicação, graças ao Senhor Celestial e a nossa fé Nele foram possíveis, após sermos não mastigados por tantas editoras e meios de apoio cultural. Não desistimos, e após muita frustração foi finalmente chegada essa conquista. Agora temos o doce de ver o colorido de uma capa com nosso nome contornando a autoria.
            Mas em qualquer meio que você esteja, qualquer profissão, sempre haverá a dificuldade, que de início parecerá a falência do empreendimento. Pense duas vezes antes de desistir, ou melhor, 10 vezes, pois muitos começaram e somente após muitos fracassos que conquistaram o sucesso e o lucro. A vida deseja ser dura principalmente por ser uma cópia da digestão, que mantém a energia da vida material, pelo sistema digestivo, em início o estômago. As durezas da vida ensinam assim que o salário vem após o trabalho, e mesmo a natureza trabalha, constrói seus ninhos, habitats, sua morada vital. Não estamos à parte da natureza, mas em harmonia com ela numa dimensão holística, a que os orientais levavam muito em conta, e mesmo o pensamento filosófico ocidental ancestral o fazia. A vida é assim digerida justamente por ser dura, o que deve alegrar, por ser crocante mesmo ao bom paladar.
           

Comentários

  1. Na última viagem áerea que fiz comprei um livro sobre dieta no aeroporto. Descobri que essa autora tinha publicado diversos títulos sobre o tema. Um dos livros dela chama-se "A Dieta de Jesus". Passei a entender porque Jesus agüentou tanto o sacrifício da cruz: é que ele zelava pela saúde corporal e não só pela saúde do espírito e tinha uma excelente condição física em função da boa alimentação, módica e frugal. Muito obrigado pela mensagem. Respeitosamente, CLÉVERSON ISRAEL MINIKOVSKY.

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  2. Quando pensamos em espírito ele se vê separado do corpo. Mas a verdade é que está unido.. e o próprio corpo é a cruz onde a alma evolui. abraço

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