Compreender melhor as pessoas


Compreender melhor as pessoas



Eu estava lendo dois livros de uma psiquiatra, Ana Beatriz B. Silva, sobre TOC, Déficit de atenção, hiperatividade e outros problemas de comportamento, e percebi coisas interessantes que me levam a não mais julgar tanto as pessoas, especialmente aquelas em fase de desenvolvimento, no caso as crianças ou estudantes. Vemos por vezes alguns alunos sendo julgados de rebeldes, deslocados, bagunceiros, distraídos e até maus por professores, quando na verdade tais podem ser apenas portadores de Déficit de Atenção, o que se desdobra em impulsividade e hiperatividade, justificando atos e constante atividade.
Uma pessoa quando não tem controle e consciência do que faz, não pode ser culpada. Uma criança menos ainda, por estar em fase de desenvolvimento de sua personalidade, devendo ser sim elogiada e apoiada em seus talentos, não criticada e julgada. Numa escola alternativa da Holanda cada um faz o que gosta e escolhe estudar a sua maneira, e para muitos têm funcionado aquele sistema. Dançam, estudam algum assunto específico, pesquisam na internet, jogam, etc. Em países atrasados os professores ficam gritando com alunos que não mais se sujeitam a regras idiotas (e os alunos têm razão) e ambientes chatos (novamente com razão). Pelo estresse da vida em aula não é a toa que há tanta violência e falta de aprendizado em nossas escolas. A escola, ou muda, ou parece que poucos vão estudar, ainda mais na rede pública. Já em minha obra Reflexões Gerais eu havia falado que a escola devia ser divertida. Essa lição do divertimento eu tive quando estava lendo algo de uma corrente mística chamada de caóticos, que elaboraram uma espiritualidade divertida.
Já o adulto com hiperatividade é muitas vezes a pessoa aventureira, apaixonada, que não fica fazendo uma coisa somente e que tem explosões emocionais. Dependendo da situação isso tudo pode ser qualidade e bem aproveitado, mas insistimos em achar defeitos nas pessoas. Talvez tenhamos inveja dos hiperativos porque eles curtem mais a vida que agente e pulam de para-quedas, praticam esportes radicais, não ficam em caretices que geralmente nos ocupam. O fato de não se concentrar em algo que não se gosta não é tão incomum, e é mais uma sinceridade desse povo que algo que devamos condenar. Compreendendo melhor as pessoas pode-se ver que uma explosão emocional muitas vezes revela isso de que falamos, e não maldade da pessoa. Na verdade ela não teve escolha, ela é assim mesmo. Amar as pessoas como elas são e respeitar é melhor que julgar.
Sobre problemas de comportamento, há ainda as manias, que podem ser na verdade TOC. Isso revela doença e a pessoa perde o controle e lava a mão mil vezes, colecionam jornais, acha que pode pegar um vírus fatal ao andar de ônibus, tem de fazer um ritual para entrar e sair de casa e assim por diante. Muita coisa sem lógica mas que vira lei obrigatória para essas pessoas, que se vêm prejudicadas por esses comportamentos, perdendo muito da vida. Elas novamente não são culpadas, pois são doentes, não desejam ser o que são. Devemos ajudar para que desmistifiquem os tratamentos psiquiátricos e psicológicos, e que busquem ajuda, informando-as. A informação é a melhor arma contra o erro.
Entender as pessoas faz com que convivamos melhor com elas. Já uma amiga falou que tem o filho com problema, por ser hiperativo. Hoje vejo da seguinte maneira: que esse menino tem muitas qualidades e que lida com o mundo de forma diferente, questionando as regras. Mas até onde esse mundo que ele questiona o faz uma pessoa melhor e feliz? Acho que essas crianças nos ensinam muito, e que devemos mudar certas coisas em nosso ensino para que vivam melhor, uma vez que têm muitos talentos, devem ser elogiados. Se o padrão de ensino não serve para eles, o que importa? Einstein também não se dava bem na escola, mas o mundo aprendeu mais com ele mesmo assim. Vejo que devemos compreender melhor antes de julgar, e que esse padrãozinho a que alguns querem obrigar a todos nada mais é que escravidão moral. Torço para que gerações futuras desenvolvam mais seu potencial desde cedo, sem amarras de educação, tradicionalismos e sistemas retrógrados, uma vez que isso em muito prejudica a felicidade e a saúde do ser humano na sociedade. É preciso conhecer para compreender e compreender para conhecer. Mudemos desde agora. Aprendamos com os hiperativos, que são também filhos de Deus.

Comentários

  1. A criança de modo expecial não pode ser exposta a uma quantidade de excitações sinestésicas pois tenderá a desenvolver déficit de atenção. Televisão quanto menos melhor. Deve-se utilizar a televisão como ferramenta de estudo e trabalho e não como passa-tempo. Muito obrigado pela mensagem. Respeitosamente, CLÉVERSON ISRAEL MINIKOVSKY

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  2. É mesmo. a criança sofre boa influência da TV.. e internet hoje em dia.. e os problemas de Déficit de Atenção aumentaram recentemente.. mas é algo meio irreversível.. semelhante a fast food provocando obesidade. abraço

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