O problema não é com os outros


O problema não é com os outros

         Quando pensamos nos nossos problemas, geralmente não percebemos que muita coisa que temos negativamente nada mais é do que projeções das nossas frustrações. Antes de enfrentarmos o nosso ser interior, gostamos de projetar os problemas nos outros, condenamos alguém por não gostar de nós, brigamos com amigos, parentes, namorada, entre outros. Quando acordamos da ilusão, vemos que não estava o problema na vida que levamos, nem falta de conquistas, nem a falta de dinheiro. Procuramos fora, mas o problema está em nosso ser interior.
            Nós filósofos, pela vida interior que já levamos, temos como corriqueira uma crise pessoal, não nos afetando tanto com alguma frustração, sabemos lidar melhor com as frustrações. Muitas vezes encontramos a alegria na leitura de livros, e, para mim isso muitas vezes foi o recurso que tinha, haja vista faltar dinheiro, estar sem amigos ou as coisas não acontecem já por rotina. Também a solidão não é problema, uma vez que tudo depende de qual forma lidamos com o que é estar sozinho, pois a nossa comunicação e mesmo relação é sempre parcial. Não devemos colocar a felicidade e nem a solução de todos os problemas com fatos que não temos controle, nem em consumismo, ilicitudes ou coisas que podem nos prejudicar.
            As pessoas quando crianças colocam a culpa na falta de carinho dos pais, adolescentes colocam nos amigos ou namoros, jovens culpam as escolhas erradas, adultos se arrependem de maus negócios, de não ganharem dinheiro com a profissão que têm a assim por diante. Não percebem as pessoas que é a sua vida interior que precisa se satisfazer, não as mil faces que têm ao mundo, com suas mil conquistas e famas. Não adianta se divorciar, procurar um novo amor perfeito. Não adianta mudar de emprego. Não adianta brigar com as pessoas. Tem de estar bem consigo mesmo, feliz, nem que esteja vendendo coisas na rua, fazendo artesanato ou vivendo em uma casa humilde. A felicidade é um estado do ser interior, não são os outros os culpados pela nossa infelicidade.
            É comum: as pessoas falam nos outros, que alguém traiu, que não ganhou dinheiro porque outro não quis fazer negócio, que na nota baixa foi o professor que não ensinou e assim por diante. Não percebem que são elas que erraram, ou que não sustentaram um relacionamento, ou mesmo que negociaram mal. Nietzsche desejava o mal para os amigos, talvez por saber que é com as dificuldades que eles melhorariam. Contudo, com nosso mundo de facilidades e tecnologias, o ser humano insiste em querer viver anestesiado, em achar que o mundo é um sonho que ele realiza todo o dia. Sartre disse que o outro é o inferno. Podemos entender também que o outro seja o céu. Depende do que queremos que o outo seja e como o tratamos. Mas não é o culpado dos nossos erros.
            Claro que o relacionamento pode ter seus choques naturais, que pelas próprias diferenças as pessoas entram em crise. Os reality shows que passam na TV provam que dentro de um grupo sempre há desavenças, mas saber lidar com diferenças, respeitar o outro é que se torna o desafio. Quando aos nossos problemas, mais os afetivos, não se devem ao outro que não se interessa por nós, a outra, mas a nós mesmo que não aceitamos a liberdade e a individualidade alheia, bem como não assumimos os nosso erros e ainda queremos viver mimados pela vida, achando que a vida substitui nossos pais da infância, e as pessoas são nosso bico.

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