O outro eu

O outro|ortuo eu



            Parece que possuímos um eu agora, mas também um eu que se esconde. Esse eu que se esconde ou é superior, ou é inferior, e isso relacionado a porções do nosso cérebro que ainda se desenvolverão, e a porções que já ficaram par trás na cadeia evolutiva, na noogênese.
         Vemos também que esse outro eu pode ser uma máscara não usada, assim como o eu normal pode ser uma máscara. Mas o que está escondido e porque esconder? Fica claro que esse outro eu é sempre algo um tanto vulnerável, frente ao mundo competitivo e as exigência sociais. Se esse outro eu chora com mais facilidade, se é mais emotivo, fica fraco frente as exigências competitivas do mundo capitalista e materialista. Também um outro eu místico pode ser tratado como louco, e assim ele apenas se revela em momentos propícios, como em religiões e escolas esotéricas, entre outros meios.
         Se lembrarmos de Freud, podemos perceber que há um eu instintivo, ligado ao Id, um eu social ligado ao ego, e um eu místico, ligado ao superego. Sabemos pela neurociência e pela biologia que possuímos partes de nosso cérebro semelhantes a de mamíferos e de répteis,e assim guardamos porções evolutivas das espécies no nosso cérebro. Hormônios são secretados e o eu também pode mudar de acordo com certa condição corporal ou mudança de desenvolvimento, com ciclos sexuais e mesmo com a busca de um prazer ou frustração. Assim podemos pensar na dopamina, serotonina, adrenalina e outros, que geralmente são relacionados a chocolate e a esportes radicais.
         Também esse outro eu ele tem uma função pré-social, uma vez que falamos com nós mesmos antes de falarmos com outras pessoas, ou falamos tanto quanto. Isso virou tema de um filme recente, chamado a Outra Terra, e parece que sempre há a alusão de que pode haver uma vida melhor dentro de nós mesmos, se tratando mais de opções e de uma busca mesmo através da vontade. A vontade parece construir o nosso destino, junto a possibilidade. Claro que o eu do gênio é um outro eu para o comum da sociedade, e isso sim que é base de desenvolvimentos posteriores.
         Dividimos o nosso eu em relacionamentos, e isso faz de nós pessoas mais humildes, não que não tenhamos a totalidade, mas que para certas situações e mesmo na realidade material a interação de corpos bioenegéticos parece ser o fundamento da dança da vida. Há um outro fora, além de objeto, mas um outro que pensa, um outro que faz parte de nossa mente, que nos adiciona pensamentos, e que troca sentimentos. Essa interação forma tudo o que se tem por magnetismo, pois o outro tem uma relação mágica com o ser, partilhando de sua essência. Um dos principais meios de se superar males psicológicos é se envolver com companhias, relacionamentos e assim se desviar de pensamentos repetitivos negativos e mesmo mórbidos.
         Mas devemos compreender esse outro eu. Isso se torna difícil pelas nossas idiossincrasias, que nos levam a condenar ou a aprovar em demasia determinadas pessoas ou manifestações de eus, e isso envolve muito a tolerância. O outro eu pode em muito revelar parte de nós, e assim para que compreendamos que somos parte de tudo, e que aquilo que condenamos no outro talvez seja a parte escondida de nós mesmos. Por isso da máscara que não se quer mostrar.
         Também o mal e mesmo o Demônio, que tanto procuramos fora e condenamos, esteja dentro de nós mesmos. Essas são lições do adepto, que percebe ser ele a origem de um modelo de universo e que os inimigos a vencer estão enraizados, não tão longe quanto o comum da população imagina. Isso talvez seja a subpersonalidade inserida nos nossos gens, daqueles antepassados pré-históricos, onde a moral não se via tão traçada como hodiernamente. Assim trazemos a herança de muitos crimes, mesmo que perdoados pelo tempo que passou.
         UM outro eu guarda um outro mundo e um outro destino. O comportamento é a chave, apesar de que não está apenas inserido em dimensões estanques. A visão da totalidade é o segredo e isso engloba todas as metanarrativas, não apenas duas ou três.  Logo mudando-se a roupa, cuidando-se do corpo, se maquiando, falando de um modo ou de outro, tudo transforma o destino. Isso serve para todas as áreas da vida, porque os pré-conceitos já prontos gostam de padronizações, e as pessoas julgam de forma apriorística. Antes da mera aparência, magreza ou musculatura, o comportamento parece ser a forma de como o mundo irá julgar esse eu.
         O eu é um somatório de muitos eus. Podemos assim sermos atores na vida, claro que não com mentira ou falsidade, mas porque possuímos mesmo muitas personalidades e porque isso nos faz entrar no sentimento alheio, na alma de tudo. O eu é amor, porque nascemos do amor e parece que buscamos isso, talvez estando mais em nós mesmos. E a vida mesma é um outro eu, um eu maior que interage de modo que temos o palco existencial, o palco do nosso gênio. E descobrir esse gênio revela o que de melhor possuímos, pois revela os nossos talentos e nossas virtudes, quase poderes mágicos. Isso não se refere apenas a inteligência.


           

Comentários

  1. Essa é uma boa reflexão , a maioria das pessoas que já estagiam na auto observação , se deparou com surpresas em seu próprio comportamento...sentimentos que afloram , tristezas, sensação de vazio e de menos valia e que os desavisados,poderiam ignorar, tentar mascarar...mas os que desejam se auto conhecer e equilibrar esses tantos "eus" devem dar a máxima atenção...e da simples pergunta " Por que estou me sentindo assim? " podem surgir grandes descobertas...

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  2. oi CLAUDIA..ADOREI A REFLEXAO.. E EU SOU ESTAGIARIO DE MIM MESMO .. ACREDITO Q TENHO MUITO A APRENDER AINDA..MAS ESSES OUTROS EU SAO MARAVILHOSOS. OBRIGADO E ESTEJA SEMPRE AQUI

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  3. É somente a partir da existência de um outro eu que o eu mesmo é afirmado. Se não existisse este outro não haveria linguagem e, sem linguagem, não haveria consciência, nem a mais solpsistas das consciências como o "penso logo existo" cartesiano. É na relação do eu com os eus que brotam todos os eus. O eu relativo é muito produto da interação. Marx diria "o homem é um feixe de relações sociais". Quem está acima e além de qualquer processo de socialização é o Eu Absoluto que sentiu a necessidade de criar para sua companhia milícias de anjos e, quando estes caíram criou o homem, e, quando o homem caiu, enviou seu Filho ao mundo. Esta é a história de todos os eus. CLÉVERSON ISRAEL MINIKOVSKY

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