Ser rejeitado

Ser rejeitado




            Ser rejeitado é quase que uma regra para quem é diferente. Seja feio, bonito, gênio, esquisito ou outra coisa, fica difícil não perceber a relação diferenciada a que se é tratado sob certas condições. Há vários gênios que conheço, e eu mesmo sou um príncipe dos filósofos, mas não somos reconhecidos, e pelo contrário, rejeitados, tidos como loucos, desocupados, sem nada para fazer de melhor. Homens como nós foram fundadores da sociedade moderna, idealizadores do universo, da física, de toda uma gama de compreensões. Não fossem uns estranhos que nem nós, o mundo não teria graça, viveria ainda caçando com lanças os animais de seu menu instintivo. Por quê somos rejeitados?
         Acho primeiro que isso ocorre porque somos tidos como feios (eu me acho bonito...). Acho que a aparência se reveste de uma reação intuitiva do outro ser, culminando em um juízo de valor. Nem sempre isso é positivo e os equívocos se multiplicam e muito se é perdido de bom. As relações sociais se mantêm em muito por causa da tolerância. Já Rousseau em seu “A origem da desigualdade entre os homens” analisava essas diferenças, e nos levava a questionar o porquê de o mito do bom selvagem. Não é de hoje que me sinto como um homem visto como um mau selvagem, ou um bom santo. Acho que isso afasta algumas pessoas, e já falei a respeito por outros termos em meus ensaios filosóficos, entre o principal “Frustrações”. Toda a conquista das pessoas parece advir de outra dinâmica, de ser algo tipo espírito gregário. Você não pode ter ideias diferentes e já é excluído do rebanho humano. Nietzsche criticava muito esse espírito de rebanho, presente tanto no cristianismo, como no socialismo, e assim formava na sociedade toda uma moral sem grande perspectiva para o gênio.
         Acho interessante quando uma pessoa antes rejeitada passa a ser atraente aos que o rejeitaram quando alguém lhe dá valor. Pense em um homem que foi rejeitado por várias mulheres e que namora uma bela mulher, é feliz e a faz feliz. É uma lição para aquelas que o rejeitaram, e isso serve quase como um castigo. Outras gostam de malandros e assim excluem os homens que não as interessam, pela falta de aventura, e caem do cavalo, se veem até respondendo por crimes junto a seus “galãs” imaginários. Ser rejeitado é assim um imaginário igual ao ser adorado, e de forma inconsciente essas mulheres descartam muitas vezes bons partidos. É a lógica da cegueira do amor, e sou também uma vítima de não ser percebido em meio a essa escuridão.
         Mas sobre a profissão de filósofo? Nem é considerada, a não ser agora que há palestrantes famosos, tipo um Leonardo Boff, porém ainda com aparência quase clássica. Vejo por mim mesmo, estou mudando o tema de minhas obras. Antes eu gostava de misticismo, mas é muito seleto esse enfoque. Agora estou mais para o existencialismo, e até um leitor de peso, Juiz de Direito, disse ser a minha obra aparentada a de um Nietzsche. Vemos por novas revistas de filosofia que o tema atual é falar de filmes, novas tecnologias, reality shows, Internet e assim por diante. Para tanto, não se é tão rejeitado. Livros demasiadamente técnicos já não são a moda atual. Mesmo os meus (possuo 10!) eu já os coloco mais em sintonia com autoajuda que com algo técnico. Claro que sempre aproveito as coisas do quotidiano e as aproximo das reflexões filosóficas. Fato é que ser rejeitado me fez filósofo. Não fosse assim, eu estaria com mais tempo para as paixões do dia a dia, as festas, bebida e tudo mais. Mas há quem diga que meus livros deveriam ser mais divulgados e que têm qualidades muitas. Não importa o que pensemos: a opinião dos outros sempre se reveste com uma rejeição a priori. Mas haverá o tempo em que a árvore filosófica que semeamos colocará todos ao pé de suas raízes e à sombra de seus galhos gigantescos. Os arbustos do senso comum desaparecerão e aqueles que não pensarem no futuro como nós estarão fadados a serem taxados de ultrapassados. O presente nos rejeita para o futuro nos idolatrar. E os gênios se veem postos de lado, mesmo na terra onde nasceram ou residem. 

Mariano Soltys




Livros do autor:

*Fonte da Felicidade
*Mistérios Ocultos do Amor
*Reflexões Gerais: reflexões filosóficas sobre a realidade contemporânea
*Um Mestre Entre Nós
* Crítica da Moral
* Crítica das Crenças
*As 70 Cartas do Baralho Filosófico (com Minikovsky)
* Contrarreforma ético-filosófica (com Minikovsky)
* Axiologia
*Tempo sem tempo e espaço sem espaço (poesia)

Comentários

  1. Eu me senti rejeitado por muito tempo. Agora atingi uma das minhas metas. Li 10.000 livros. E fiquei louco de orgulho. Algo que não consigo controlar. Eu não queria isso. Só queria ter mais confiança em mim mesmo. Sei que um sábio humilde é sábio duas vezes. Ainda que 6 bilhões de pessoas me façam oposição, não me sentirei rejeitado, ninguém desistala 10.000 softwares com um simples sarcasmo. Estou acima de tudo. Valeu Mariano, amigo e idêntico a mim. CLÉVERSON ISRAEL MINIKOVSKY

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