Viciadas em trabalho

Viciadas em trabalho

 

            Os problemas de algum modo se atraem para mim, e a última experiência que tive, estava próxima de uma moça que aqui vou chamar de G, mas que para mim está sendo um aprendizado de transformação. Ela é assim viciada em trabalho (compulsão, transtorno obsessivo compulsivo) e isso para se afastar de qualquer entrega mais ampla emocional, defendendo um complexo de ódio aos homens que aqui vou chamar de “complexo de amazona”, mas que é apenas uma defesa para que não se repita o antigo conflito. O trabalho está assim tomando mais que a necessidade e ela trabalha com artesanato, muito feliz em sua persona. G teve um rompimento emocional há 4 meses e agora projeta conflitos em minha pessoa, me condenando de fatos imaginários e refletindo alguma insegurança, dizendo não confiar em ninguém (do sexo masculino).
            Fato é que substitutos de prazer abundam em nossa sociedade, como doces, chocolates, excesso de trabalho, relações vazias, bebida, tóxicos e assim por diante. Vemos uma racionalidade por traz disso, e não é tanta quando a endeusada por Bertrand Russell, mas tem grande foco em crenças antigas. Vejo pessoas encontrando crises novas a medida que conquistaram um novo campo social. A independência é positiva, mas vemos cada vez mais um egoismo doentio que reflete somente a máscara de cada um. O complexo de amazona condena tudo o que aparece pela frente, e a generalização é comum em conflitos antes internos, que externos, talvez resultante de relacionamentos que não foram acordados, como assuntos de fidelidade, sexualidade, trabalho, divisão de despesas etc. Mas a G tem tios e homens que admira, e isso acaba por se direcionar a um complexo de ego paterno onde o homem é quase uma mãe. Esse ideal é mais respeitado, e cada vez nos vem novamente o complexo de Édipo, a relação com pai e mãe.
            Mas falar sobre o tema renova uma dessentimentalização por parte desses rompimentos de laços emocionais, que ainda bem não estão tão carregados de apego, o que revela ainda um amor mais desencanado. Fato é que um amor superior encontramos somente em Deus e que cada vez mais ilusões acabam por de dissolver. Neurotransmissores como dopamina, adrenalina, e outros ligados a prazer e felicidade, fazem com que esses conflitos se vejam anestesiados. Mas se faz necessária a entrega, o choro, a superação disso.. antes que muitos relacionamentos se vejam prejudicados, laços com mãe, pai, amigos e assim por diante. E o complexo de amazona quebra a cara por encontrar homens bons, assim como há mulheres excelentes para conviver ( e outras desonestas). Fato é que não devemos apostar a não ser que tenhamos certeza das coisas. O trabalho deixa de ser saudável quando toma todo o tempo, não possibilitando descanso nas madrugadas, afastando socialmente e sendo uma felicidade falsa, um substituto.
            Não temos resultados positivos com muitas relações sociais e mudanças de paradigma. Uma coisa é independência, outra é o complexo de amazona. Uma coisa é apostar em algo, outra é duvidar de tudo. A sombra vem inconsciente e cada vez mais vemos conflitos maiores em nossa sociedade do que aquela de nossos pais e avós. Nos relacionamentos isso se reflete pela flexibilização, o que acaba por não garantir vínculo e um afeto maior. As pessoas ficam porque se tornaram superficiais, instintivas e sem grande ideal na vida. Somar a isso antigas instituições como a família está cada vez mais difícil. Vinganças, enganos, e uma série de astúcias fazem das pessoas se relacionarem por alguma fama ou mera satisfação passageira. A sociedade nunca teve tão machista e o fato de a mulher apenas trabalhar não a salva de seus conflitos. E projetar tudo no trabalho é uma forma de sublimar energias afetivas, desviar, e ainda mais quando vemos envolvida a arte (ou artesanato).
            Cada vez mais vemos o homem perdendo responsabilidade e se tornando infantil. Isso já Cléverson e eu em nosso programa “Filosofia é Liberdade” notamos que o homem meio que se afrouxou de suas obrigações familiares, refletindo no fenômeno da “Mãe de Família” na maioria dos lares, geralmente divorciada. O positivo é que encontra um novo homem em seu caminho, e que isso pode provar equívoco de suas condenações com relação a gênero, o que é equívoco. A máquina se tornou o ser humano, e isso na linha de produção ou mesmo no labor autônomo se reflete em dependência, trabalho que afeta outras áreas da vida. Eu também não paro, mas o ato de escrever para mim é mais um hobby, e cada vez mais faço boas produções literárias por projetar-me por inteiro no trabalho, mas com limite. Porém o mecanismo é uma visão masculina de mundo, de animus, e apesar das mulheres estarem cada vez mais focadas em independência pelo trabalho, apenas sustentam vazios existenciais em seus relacionamentos, que poderiam ser muito produtivos a sua evolução emocional e forma de lidar com a existência. Isso traz mais angústias, como um desencantamento do mundo, e a mulher é por natureza neurobiológica encantada, uma vez que tem a biologia para ser mãe, e isso não tem feminismo que derrube. Matar os filhos homens (condenar o geral masculino) como uma amazona somente conclui esse equívoco, que é ainda projetado em ilusões e intolerância. E torcemos para que G se encontre, e não perdure em sua dinâmica de repulsão a relações humanas com o sexo masculino. E fato é que relações antigas duravam mais, mesmo na dependência, e nossos pais e avós o provam por A mais B isso. 




Comentários

  1. Na verdade é um meio de realização assim como a cópula com a pessoa do sexo oposto também é uma realização. O que muitas vezes não se consegue fazendo sexo é sub-rogado por outras formas de compensação e autoafirmação. Mas o sucedâneo nunca preenche a lacuna libídica e portanto o que está havendo na vida desta moça é apenas uma postergação. No fundo, é uma maneira de ganhar tempo enquanto se trabalha com a frustração de não ter encontrado alguém ideal. E você, Mariano, em vez de escrever sobre o caso, deveria ser esse pulso forte a dar uma diretriz a esta donzela. Não pense, aja!!! Forte abraço, respeitosamente, CLÉVERSON ISRAEL MINIKOVSKY

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