Pai, pater, father

Pai, pater, father


           
            O dia dos pais é o dia daquilo que há acima de nós, da nossa força moral.  Vejo que em meu espírito repousa muito da base que tive na infância, onde a existência se fez formada e me conduziu pela vida. Lembro que mais presente o nosso pai se faz na infância, e que tenho assim relatos que beiram a perfeição para descrever. Meu pai, Mário Soltys (o Marião da Condor) parece que me foi um desses gigantes em minha infância e até adolescência, pela companhia que tive e oportunidade de praticar atividades físicas em conjunto, como andar de bicicleta ou “bater uma bola”, ou mesmo jogar video-game. Foram sempre momentos de presença e de uma amizade verdadeira, maior que daqueles amigos que com a idade e atividades, mudanças, se afastam.
         Por outro lado, vejo que em meu escritório se multiplicam crianças sem pai, onde mães vêm apenas buscar a pensão alimentícia e se esquecem na formação moral a que um pai exerce nos filhos. O pater é bem uma força, uma dimensão yang de mundo, que na ausência gera a fraqueza e a insegurança. Não é a toa que nossa tradição cristã fez do Pai do Céu sua força, sua busca, e que Cristo tenha nessa crença uma renovação, onde o aconchego e o amor se veem mais presentes que a mera força (do Senhor do Exércitos).
         Voltando ao meu pai, ele era militar, terceiro sargento, servindo em  Joinville, 62 BI, por 7 anos, e que além da disciplina me demonstrou e na humildade sempre virtudes, não trazendo o lado negativo da vida militar, o que é louvável. Sempre diferenças existem entre pais e filhos, mas há quem veja uma cópia de minha pessoa na aparência em relação ao meu pai, uma vez que jovem ele era muito magro. Certamente tenho em minha obra filosófica um aspecto de batalha, de disparo moral a que muitos se verão atingidos em sua injustiça de opiniões. Contudo isso não me fez um homem prático como meu pai, que se assemelha mais a um José bíblico, pai de Jesus, que aos inspiradores doutrinários do Evangelho. Sou um homem teórico, quase um Kant, Nietzsche  ou Shopenhauer de meu tempo, mas sempre com a base existencial de um militar, por isso sempre sou enérgico em minhas reflexões, um pouco extremo às vezes, mas nunca com maldade, mas sim com aquele impacto de atitude a que é necessário a um bom soldado da vida.
         Mesmo quem não tem boa relação com seu pai ou alguém que faça o papel viril e superior em sua vida (Tio, avô, padrasto etc) vê em algum problema de saúde muitas vezes a linguagem simbólica dessa ausência em seu caráter. Não quero falar aqui em um ato injusto ou mesmo crime contra esse superior no papel de pai, mas sim de não o amor como filho perfeito de Deus, como ensina Taniguchi, o que por fim gera um mal. Assim respeitar o superior é não ter problemas na cabeça, ou mesmo em algo na parte superior do corpo. Assim fala a natureza a que os japoneses nos ensinaram a perceber, ainda mais na persente Seicho-no-iê.  Com meu pai tenho paz, e assim não sofro de dores de cabeça, nem de qualquer problema nessa parte, nem em outra parte superior do corpo. Claro que tenho diferenças de opinião, mas isso tenho com todos, por ser mesmo um filósofo, um livre pensador, e assim fundador de cosmovisão, não de mero achismo ou o que achei bom por ter experiência na vida.
         Já mais presente em fato, lembro que ao comprar um automóvel novo, meu pai fez uma série de comentários elogiosos sobre a minha pessoa a uma jovem e bela vendedora, eu com todas as qualidades viris e existenciais a que a atração de uma mulher deseja e que no encanto vem cheio de magnetismo, descrevendo minhas qualidades e de meu livro (isso foi em 2009), formação, exageros em descrição física e assim por diante, formando um quadro impressionista da minha pessoa, e que ele relatava isso a minha mãe ao chegar em casa. Por isso vemos que a cada tempo confiamos nas almas que escolhemos confiar, e fico cada vez mais crente de que antes de encarnar nesse mundo eu escolhi onde nascer, junto a pessoas de caráter, não com qualquer alma. Meu pai foi assim um auxílio, não apenas ao ideal para a minha formação e labor, mas a toda a grandeza que um dia foi semeada, seja mesmo por um pouco de sacrifício e superproteção desnecessária. Mas não sera essa proteção algo ainda influente de nosso Anjo Guardião? Acho que nosso pai é quase uma ferramente desse protetor espiritual. Mas voltando a bela vendedora, ocorreu de em certa oportunidade eu ter de levar o carro para emplacar, e ter assim de passar na concessionária ver algum documento para o fazer, sendo que ao chegar lá, entrei e mesmo passando pela dita vendedora, esta me tratou com desdém, total indiferença, e que ela perdeu o “tesão”, o que não foi nenhum absurdo, pois a imagem que um pai faz de nós devia ser mesmo muito melhor do que realmente somos. Fui assim embora, pensando que é o papel da vendedora se interessar para vender, e que isso faz parte da mercancia, do comércio mesmo. Mas resta a obra de meu pai, pelo menos a sua intenção foi boa.
         De qualquer modo, fico assim a homenagear com todas as vênias meu pai, Mário Soltys, que não somente está com obras em sua vida material, mas que fez também a obra moral de fabricar além de um grande homem que é, seu filho, que também é outro grande homem da humanidade. Por meu pai ser trabalhador incansável, verdadeiro obreiro da praxis (transformador da natureza), bem como ter uma virtude para mim de exemplo, uma vir (virilidade), isso me dignifica mais que qualquer nação, instituição ou ideias assemelhadas, pois foi mesmo a biologia que me fabricou, algo que foi edificado com pedra de diamante, o que sou, gênio.


Comentários

  1. Dostoievski disse que "o homem deseja a morte do pai". O pai é o super, hiper, mega, ultracrítico do filho. O pai vê o filho como inimigo ou desafiante. O pai é patriarca e o filho unigênito, ainda que seja o benjamin será o unigênito desde que seja o único, põe em xeque a autoridade do pai. No primeiro dia dos pais em que não tenho pai eu sou pai agora. Meu filho ou filha está a caminho. CLÉVERSON ISRAEL MINIKOVSKY

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