Iconoclasta de valores

Iconoclasta de valores

                                     


            Uma pequena pedra valiosa está incrustada no simétrico nariz de uma atriz do prazer. Não é de hoje que me vejo como questionador desse mundo, sou mesmo um Shiva, destruidor de mundos. Uma tatuagem misteriosa, palavras sem sentido, sonhos que foscos temperam um vidro embaçado. Hoje transcendi meu espírito ao divulgar a minha filosofia na surdina. Odeio o que é acadêmico, toda a minha paciência para com o que é acadêmico não satisfez o marketing da avareza. Mais uma vez dinamitei valores,  fui o mágico que retirou da cartola do comportamento um coelho diferente, totalmente oposto a expectativa. Também a ciência para mim é incompleta, talvez por ser eu um ocultista. Só a verdade me interessa, não mimos da consciência. Essa é minha fórmula de cura – fazer o oposto quando se está doente, e doença é ilusão, não existe. Rapidamente o elixir foi conquistado e assim voltei a minha rotina, agora moldando letras no quadro da imaginação.
         Não vou mais julgar a minha vida. Primeiro que não sou juiz, menos ainda inquisidor. Já minha pele fritou muito em encarnações passadas, por ser livre pensador, por ser fera livre que trafega em altas montanhas. Segundo que o conceito de santidade para mim mudou, e nada tem a ver com aparências e hipóteses humanas semi-conscientes. Meu céu se casou com o inferno, talvez fui assim influenciado por Blake. Sem medo estou compreendendo a dor e sem medo estou compreendendo o prazer. Apesar das couraças psicológicas que fui com o tempo desenvolvendo, ainda tenho um resto de pura energia que trafega unindo as coisas, que faz o mapa dos meridianos. Eu, esse acupunturista do saber, essa serpente abandonada, eu, esse ser cheio de ipseidade, eu, esse mártir profeta de um novo mundo.
         Terceiro que não vou mais condenar as coisas sem antes refletir cem vezes. O que parece mal é na verdade melhor que muitas máscaras sociais. A necessidade e a falta de oportunidade fazem do antes imoral, algo moral. Conceito libidinoso de Brahma, o Todo agora é repensado. E a metafísica não poderia me envolver em local melhor, que na morada proibida do preconceito. Avizinhei assim os ídolos e os compreendi, muitos que hoje não são mais feitos de pedra, mas são ilusões produzidas pela imagem e pela fama de pessoas que apenas manifestam seu gênio. Eu também manifesto meu daimon, e nem por isso desejo veneração. Não que seja aqui ou ali, ou acolá, ou em qualquer lugar, sou o mesmo, não me altera a substância. Sou proibido e não me leiam aqueles que têm medo.
         Veja você quais são seus valores, se são seus mesmos. São seus? Ou apenas algo que agrada sua alma para que descanse na tranquilidade, para que compense o arrependimento e vire a moeda de face? Ou esses valores são os do adepto? Acho que em se tratando de religião, a última opção é a válida. Não se aplicam esses valores a quem não jurou segui-los, logo a confusão reina nesse mundo. Da semente cerebral nasce alguma coisa que cria novos valores. Já fui o iconoclasta disso, e meus livros Crítica da Moral e Crítica das Crenças falam por si sós, são armas para aniquilar a confusão, tão comum em mentes ainda não treinadas no contato com seu gênio ou daimon. Eu não falo por mim, é meu daimon que revela o ouro nessa mina cavada da vida. E a verdade de cada tempo e sua compreensão, sua consciência, é uma mulher da vida. Não é ela que vende o corpo, é o homem que compra a alma que vai ser gerada à partir do corpo. E a matéria se torna consciente, une os tijolos dos valores. Eu sou pedreiro cósmico e esse mundo já não me é estranho, tudo para mim já está decifrado. Eu, esse novo Nietzsche, uso meu martelo quando filosofo.






                        

Comentários

  1. Nós somos criadores de ídolos. Somos os cultores de nossas próprias personalidades. Somos humanistas assumidos. Como humanista a primeira humanidade que devo valorizar é a minha própria. A própria Bíblia afirma "vós sois deuses". Essa nossa deidade é digna de veneração. Filosofar é humanizar. A filosofia mostra que em certo sentido o homem é fundamento de si mesmo, pois, tudo o que é humano é relativo e para cada cabeça uma sentença. CLÉVERSON ISRAEL MINIKOVSKY

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  2. Meus valores, quantas vezes abdiquei um pouquinho por cortesia.

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  3. OI MIRIAN..CONTINUE COMENTANDO..SUA OPINIAO SE TORNA MUITO IMPORTANTE E SINGULAR.. LEREI TUDO O QUE VC DISSER.. FACA CRITICAS.. E TUDO MAIS..

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